Boa tarde amigos.

Sem querer parecer fabiano, a eleição presidencial de 2010 parece decidida em favor de Dilma. Podemos notar isto a partir da catarse que atingiu a campanha de José Serra. Em seus programas, suas aparições e em suas entrevistas é latente a falta de discurso e a ausência de propostas, o que têm feito com que seus atos sejam pautados por demandas midiáticas.

A bola da vez é a quebra de sigilo de dados da Receita Federal. Não deixemos que a razão se esvaia nas paixões que o processo eleitoral enseja, pois o ato da quebra de sigilo trata-se de crime sério e que deve ser devidamente apurado e os responsáveis exemplarmente punidos. Mas não podemos negar quão interessante é notar como a interação mídia-Serra explora de modo enviesado o tema e faz por denegrir o seu mérito. É sabido que as informações sigilosas de 17 milhões de brasileiros foram acessadas de modo irregular, mas a mídia passou todo o período a filtrar os dados para identificar se houve acesso a dados de membros do PSDB. Identificados quatro caciques do partido, a mídia voltou ao trabalho de mineração até constatar que os dados de Veronica Allende Serra, filha do candidato, também foram violados. Agora, após novo processo de mineração, verificou-se que o sigilo de Alexandre Bourgeois, cunhado de Serra, também foi quebrado. Importante lembrar que o grosso dos vazamentos identificados até o momento se deram em 2009, ano em que não havia sequer definição de candidaturas à presidência e que, naquele momento, o próprio Serra, ao saber que o sigilo dele, de sua filha e até do presidente Lula havia sido violado, julgava normal o ocorrido (veja vídeo abaixo, sugestão do Correia de Transmissão).

Dados os resultados obtidos a partir do tracking diário, conduzido pelo Vox Populi e patrocinado pelo Ig/Band, nota-se que esta estratégia não se converteu em ruptura do cenário eleitoral que se avizinha. Contudo, a mídia e a campanha de Serra continuam a insistir na história. A mídia insiste nesta pauta porque ainda acredita ser capaz de alterar o pleito deste ano de acordo com seus interesses comerciais (clique aqui para ler sobre os métodos da mídia e aqui para entender os seus interesses).

E a campanha do PSDB? Ao que parece, Serra e sua família querem se salvar das complicações judiciais que se avizinham ao final do processo eleitoral, quando não mais disporá de foro privilegiado para se defender. Isto porque o jornalista Amaury Ribeiro Jr. irá lançar um livro em 2011 (clique para ler a introdução do livro), embasado em mais de 2000 documentos obtidos de modo legal, que promete desvendar os porões do processo de privatização. Como as perspectivas de apoio para o candidato não são boas, graças sua truculência nos bastidores, seus métodos nada convencionais para atingir seus objetivos (que o diga Roseane Sarney – clique aqui e aqui para saber mais sobre o assunto) e o possível desinteresse da mídia após mais uma derrota, a idéia agora é, antes do lançamento, denegrir as origens das informações de modo a alterar a percepção do judiciário sobre a validade das fontes utilizadas pelo autor.

É como dizem, “vão-se os anéis, ficam os dedos”. O único objetivo factível ao candidato José Serra parece mesmo o de se salvar após o dia 03/10. Triste fim.

Paradoxos Políticos

Publicado: agosto 26, 2010 em Uncategorized

Caros amigos,

Depois de atarefados dias, volto a escrever neste espaço. Um assunto que tem movimentado as discussões é a queda vertiginosa de Serra e a ascensão de Dilma nas pesquisas de opinião. Enquanto os adeptos da campanha de Dilma se refestelam e já vislumbram a vitória de sua candidata, os adeptos de Serra justificam os resultados na ignorância do povo e em outros preconceitos de classe. Ambos os candidatos são bastante similares em suas origens, o que os diferencia são as forças que os sustentam politicamente.

Serra é um paradoxo. Principiou sua carreira política como presidente da União Nacional dos Estudantes. Nada sei sobre sua postura enquanto presidente da UNE, mas é fato conhecido que participou ativamente da campanha pela legalidade da posse de João Goulart, quando Jânio Quadros, em atitude bizarra, renunciou ao posto e os setores reacionários de nossa sociedade temiam que o país se tornasse uma república comunista. No princípio da ditadura de 1964, Serra fazia parte de grupo que, à esquerda, se valia tanto da mobilização da juventude quanto da luta armada como instrumento de combate à ditadura. Malogrados seus esforços, Serra, assim como tantas outras personalidades de seu tempo, teve de deixar seu país de origem sob pena de ter sua vida encerrada. Partiu então para o Chile e depois, por força da deposição do governo Allende, migrou para os Estados Unidos até voltar como anistiado no começo dos anos 1980. Desde então, suas posições tomaram rumos distintos do princípio de sua trajetória, tanto que desde a década de 1990 encontra entre seus aliados as mesmas forças que outrora lhe obrigaram a deixar seu país de origem.

Dilma tem trajetória similar, mas não dispõe da mesma bagagem em cargos eletivos que Serra. Assim como seu adversário, principiou sua trajetória política no movimento estudantil e participou de grupos que também faziam uso de armas para alcançar seus objetivos. Diferente de Serra (e isto não é nenhuma virtude), Dilma passou três anos presa, culpada por fazer parte de movimentos de combate à ditadura. Sua trajetória em cargos públicos, apesar de Mineira de nascimento, teve início como secretária de energia do Rio Grande do Sul. Com a chegada de Lula à presidência em 2002, assumiu o ministério de minas e energia e, após o escândalo do mensalão em 2005, substituiu José Dirceu como ministra-chefe da casa civil. Sob sua responsabilidade, a gestão do Programa de Aceleração Econômica e a coordenação das políticas sociais e de moradia do governo Lula, reconhecidos pela população como instrumentos importantes para os resultados alcançados.

Embora tenham seguido diferentes caminhos, ambos devem se reportar aos grupos políticos que representam. A bem da verdade, nesta eleição está em jogo qual o papel a ser desempenhado pelo Estado. Enquanto parcela significativa dos eleitores conservadores defendem um Estado Mínimo (menor carga tributária, menores gastos sociais etc.), a maioria das pessoas têm urgência na satisfação de suas necessidades básicas, necessidades estas que demandam o fortalecimento do Estado. Neste jogo, somam-se o fato de que, durante o governo Lula, Serra exerceu dois mandatos eletivos e nada deixou de legado (a não ser a dificuldade em conversar com setores da sociedade e o tratamento grotesco que concedeu à polícia civil, professores e alunos), enquanto o governo Lula goza de aprovação popular.

Espera-se que este pleito sirva de lição à oposição, pois enquanto as forças que sustentam politicamente Serra acreditam ainda disputar a eleição de 2002, o povo decidirá, a partir de suas concepções, o presidente em 2010. Abraços a todos.

Voltei!!!

Publicado: julho 26, 2010 em Início

Caros amigos,

Como puderam notar, por problemas que desconheço tive minha conta do Google suspensa. Em virtude desta decisão incabível e retrógrada do referido site, decidi hospedar “O Processo” em uma página WordPress. Ainda disponho de pouco conhecimento sobre este novo espaço e, por isto, ainda não pude migrar as postagens anteriores para cá, algo que pretendo fazer nos próximos dias.

Todavia, quero ressaltar que não acredito que o bloqueio à minha conta no Google se deva ao conteúdo ali produzido, posto que toda produção ali realizada era encaminhada a vocês via e-mail. E isto acabava por influir no pequeno número de visitas diárias observadas ali. Na verdade, minhas suspeitas recaem sobre a possibilidade de haverem “crackeado” minha senha (através de métodos que desconheço) do Google com finalidades que ainda não estão claras.

Embora tenha lhes informado que o volume de visitas era pequeno, acho necessário ressaltar que não aspiro grandes realizações com este site. As únicas razões que justificam o esforço de manter este espaço é a necessidade de dar vazão ao volume de informações existentes em minha mente e a vontade de estabelecer um canal de diálogo entre mim e meus queridos familiares e amigos.

Peço que, sempre que puderem, contribuam para a construção do debate com informações, sugestões e discordâncias. Mas sugiro que façam vossas observações respeitando os limites de uma convivência saudável. Uma sugestão que lhes faço é evitar ataques infundados a personalidades e a uns aos outros. Informações relevantes, por gentileza, devem estar embasadas em fontes confiáveis (autarquias públicas, institutos de pesquisa etc.), as quais, sempre que possível, devem ser informadas. Evitemos, também, ataques difamatórios às opiniões dos colegas, comentários sexistas e argumentos embasados em uma pretensa “superioridade racial”.

Por fim, peço a todos que desconsiderem o endereço antigo deste espaço e substituam pelo novo (https://guilhermesilvaaraujo.wordpress.com). Além destes, peço que ignorem quaisquer mensagens recebidas via Orkut e através de minha conta de e-mail (guisilvaaraujo@gmail.com) e, se possível, me excluam de suas contas do Orkut e retirem este e-mail de sua lista de endereços.

Meus abraços a todos e até breve!!!